A cada ciclo eleitoral nas nações gentílicas e no cenário político moderno, assiste-se a um espetáculo grotesco de prostituição espiritual. Homens e mulheres que se intitulam crentes, pastores, líderes e representantes evangélicos sobem a palanques, púlpitos e redes sociais afirmando com arrogância desmedida: “Recebi uma revelação profética de que serei eleito deputado, senador, governador ou presidente; Elohim falou audivelmente comigo que devo abandonar tudo para governar esta nação”.
Sob a lente da Torah, dos Nevi'im (Profetas) e do discernimento dos Nazarenos do primeiro século — herdeiros da retidão dos filhos da luz preservada em Qumran —, essa conduta não passa de hipocrisia vil, presunção carnal e comércio desavergonhado da fé.
1. O Teste Supremo da Profecia: O Veredito Irrevogável da Torah
No método rabínico do Peshat (o sentido literal e fundamental da Escritura), a Torah é cirúrgica e irrevogável quanto a qualquer um que ouse abrir a boca para profetizar em nome do Todo-Poderoso:
“Porém o profeta que tiver a presunção de proferir alguma palavra em Meu Nome, que Eu não lhe tenha mandado falar, ou que falar em nome de outros elohim, esse profeta morrerá. E se disseres no teu coração: Como conheceremos a palavra que יהוה não falou? Quando o profeta falar em Nome de יהוה, e a coisa não se cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que יהוה não falou; com presunção a falou o profeta; não tenhas temor dele.”
— Devarim (Deuteronômio) 18:20-22
Se o Criador dos Céus e da Terra houvesse de fato decretado uma eleição, o universo inteiro se dobraria para cumpri-la, pois a Palavra que procede da boca dEle jamais volta vazia (Yeshayahu 55:11). No entanto, o que as urnas revelam, pleito após pleito? Urnas vazias, humilhação pública, vexame e um rastro de derrotas acachapantes.
A estes que alegam visões noturnas e vozes místicas para justificar sua sede de poder, aplique-se a denúncia implacável do profeta Yirmeyahu:
“Não ouvistes as palavras dos profetas que vos profetizam, dizendo: Não servireis ao rei de Bavel; porque vos profetizam mentiras. Porque não os enviei, diz יהוה, mas profetizam falsamente em Meu Nome; para que Eu vos lance fora, e pereçais, vós e os profetas que vos profetizam.”
— Yirmeyahu (Jeremias) 27:14-15; cf. 23:16-21
Eles não viram o conselho secreto do Todo-Poderoso. São movidos pela própria yetzer hara (má inclinação), alimentada pela cobiça do tesouro público, da imunidade parlamentar e do aplauso das massas.
2. A Ignorância do Verdadeiro Nome: A Misericórdia Oculta no Equívoco
Há uma ironia providencial e solene em toda essa vergonha política: esses falsos arautos sequer conhecem o Nome do Altíssimo.
Ao operarem imersos nas corrupções teológicas herdadas de Roma e do helenismo, desconhecem por completo o Tetragrama Sagrado — o Nome Eterno revelado a Moshe em Shemoth 3:15: יהוה, o Soberano dos Exércitos —, e jamais se dobraram em obediência à autoridade de יהושע HaMashiach. Operam sob títulos genéricos pagãos e conceitos adulterados de divindade.
E nisso reside um alívio espiritual: já que não conhecem a יהוה em Sua plenitude e pureza hebraica, ao menos não arrastam o Nome Kadosh para a lama imunda de suas negociatas partidárias. Envergonham a si mesmos e aos seus próprios sistemas religiosos falidos, enquanto a glória do Santo de Yisrael permanece intocada, guardada daqueles que reduzem o Reino a comitês eleitorais e conchavos espúrios de poder.
3. O Reino do Mashiach não é Deste Sistema Decaído
A essência da comunidade de Qumran e dos emissários netzarim do primeiro século era a total separação da apostasia mundana (Yahad). Quando confrontado pelos poderes temporais deste século mau, nosso Mestre יהושע estabeleceu uma barreira ontológica instransponível:
“O Meu Malchut (Reino) não é deste olam (mundo); se o Meu Malchut fosse deste olam, os Meus servos pelejariam para que Eu não fosse entregue...”
— Yochanan (João) 18:36
Quando candidatos usam o púlpito para clamar unções políticas e afirmar que o Criador os ordenou dedicar 100% de seus recursos e tempo na obtenção de cargos seculares, eles não seguem a יהושע, mas sim o espírito de Balaão (Bil'am), que amou o prêmio da injustiça e se vendeu aos senhores de Moav.
Transformam congregações em currais eleitorais e subvertem a nobreza da Torah em moedas de troca com governantes corruptos. São como os profetas denunciados em Yechezkel 13:3: “Ai dos profetas insensatos, que seguem o seu próprio espírito e nada viram!”
O Despertar da Nação e o Julgamento Iminente
A verdadeira restauração não virá por canetadas de deputados, discursos no plenário ou emendas orçamentárias. O povo de Elohim precisa abandonar a bajulação a homens vaidosos e retornar à aliança indefectível da Instrução divina:
Discernir o falso profeta pelo fruto da presunção: se prometeu vitória sob pretexto profético e foi derrotado, é mentiroso patentemente desmascarado.
Cessar a profanação do sagrado: não se negocia a herança do Eterno nos balcões da politicagem.
Voltar-se ao Nome e à Torah: a segurança e a soberania pertencem exclusivamente a יהוה e ao Seu Messias יהושע, que despedaçará os impérios deste mundo na Sua vinda definitiva.
Aos que usaram o Céu como trampolim político e passaram vergonha nas urnas, resta apenas rasgar as vestes, descer do tablado e clamar por Teshuvah (arrependimento sincero) antes que o verdadeiro Juiz de toda a Terra execute Seu julgamento inexorável.
Por: Sha’ul Lamunier Ben Yahwdah
Teólogo YaHWd Netzari Graduado pelo CATES – Centro Avançado de Teologia Ensinando de Sião
Filiado ao NetivYaH Bible Instruction Ministry – YaHWshalayim





